• de quando
    a perseverança
    transforma sonhos
    em realidade

 

Tenho algumas superstições. Uma delas é comemorar datas apenas em anos pares e, especialmente, redondos. Como assim, redondos? Eles têm de ser, antes de mais nada, de dois décimos. O número 10, por exemplo, é um número redondo. Pelo menos para mim. E esta edição da Rev.Nacional é a de número 10, momento de especial comemoração. Ainda mais se atentarmos para o detalhe de isto querer dizer que nos últimos sete anos tenho produzido, nada mais e nada menos, do que 1.440 páginas de conteúdo sobre o Brasil. Apenas sobre o Brasil. A realidade ultrapassou o que um dia parecia apenas um sonho impossível.

Foi o entusiasmo e a cumplicidade de Fernando Ullman, assim como a qualidade internacional da Ipsis Gráfica, que ajudaram a transformar uma ideia (iniciada a partir de uma faísca criativa surgida de uma conversa com Leandro Burti) em um empreendimento consistente. Uma plataforma dedicada a publicar imagens do Brasil. De acordo com Harold Evans, antigo editor do Sunday Times Magazine, “[…] uma foto é uma fração de segundo, mas suas vibrações podem durar para sempre” (1).

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É pouco frequente, em uma família, duas gerações que se destaquem em nível nacional. Aqui nesta edição da Rev.Nacional temos duas delas fotografadas.

Uma das duplas é Fernanda Montenegro e Fernanda Torres. As duas Fernandas dispensam apresentações. A Montenegro é a grande dama do teatro, cinema e televisão do Brasil. Já a Torres brilha no teatro, cinema e televisão também, além de
escrever livros e colunas em jornais.

A outra dupla retratada é a da família Boulos. Pai e filho atuam em campos diferentes. Marcos Boulos é o Doutor Marcos; um dos mais respeitados infectologistas do país. Guilherme é o rosto incansável que aglutina o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

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O filósofo Emmanuel Levinas (2), em suas conferências dadas no Colégio de Filosofia fundado por Jean Wahl, defendia (diametralmente oposto a Johann Kaspar Lavater (3) e suas ideias reducionistas) que o princípio da ética seria atingido apenas através do encontro com o Outro.

O contato com os olhos do Outro é a condição mínima para se atingir algum traço de empatia com o próximo, peça fundamental da humanidade. Para Emmanuel Levinas existem três tipos de nudez; a da paisagem, a do corpo e a do rosto, que seria a nudez por excelência.

A percepção do rosto como “[…] um buraco no ser”, como disse Jean-Paul Sartre (4), possibilita o entendimento do Outro, seja ele de qualquer vertente política, idealismo, profissão, raça, sexo ou religião.

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Aqui na Rev.Nacional, não só acreditamos e seguimos a escola de ensinamentos de Levinas, como aproveitamos – com a ajuda da fotografia – a estabelecer os contatos oculares de alta intensidade com nossos personagens fotografados (sejam nus, rostos ou paisagens). E ainda ampliamos esses horizontes. Trazemos, entre outros temas atemporais, a palavra de três historiadores/filósofos que vale a pena ler/ouvir com atenção; Leandro Karnal, Luiz Felipe Pondé e Mario Sergio Cortella. Pessoas que expõem seus pensamentos com a ajuda de sentenças que se transformam, de maneira fluida, em parágrafos e não apenas em tiradas digitais de 140 caracteres.

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O jornalista Fernando Paiva, por outro lado, volta ás páginas da Rev.Nacional com uma entrevista a Ciro Gomes. Um político fora da curva em um país que não consegue andar em linha reta.

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E é na hora de mandar a revista para a gráfica, com as provas corrigidas, que devo dar toda a razão a Mario Sergio Cortella e sua frase “o impossível não é um fato; é uma opinião”.

Porque isto é apenas o começo. O melhor ainda está por acontecer.
J.R.Duran