Sou de Araraquara. Com 18 anos fui estudar teatro em Santo André. Fui fazer a Escola Livre de Teatro, que é uma escola de resistência que existe em Santo André. É uma escola toda sucateada pela prefeitura e tudo o que acontece na escola, acontece pela força dos alunos e pela força dos mestres que dão aulas nessa escola. Ela não tem vínculo com o MEC e se chama Escola Livre de Teatro por ter essa grade livre, montada pelos próprios professores. Mesmo ela sendo sucateada, a prefeitura ainda, digamos, dá um apoio muito básico para a escola, mas os mestres são cooperativados pela Cooperativa Paulista de Teatro. Eles garantem pelo menos os salários deles. Para você ter uma ideia, os salários dos professores atrasam quatro meses, três meses, eles dão aulas sem receber em dia. É uma escola que é muito focada na linguagem coletiva, no trabalho de grupo. Se eu não tivesse passado por lá, eu não teria feito tudo o que fiz até agora. Apesar de não ter terminado minha formação, a formação de lá são quatro anos, eu saí indo para o terceiro, que foi quando eu comecei a ensaiar com a banda, e a gente começou a fazer muitos shows, e eu não ia conseguir conciliar tudo. Mas se eu não tivesse passado por essa escola, eu não teria culhão, mesmo, para estar segurando a barra que eu estou segurando hoje.

A produção do nosso trabalho começou em fevereiro, quando a gente decidiu o que a gente queria fazer, fevereiro de 2015, eu ainda em Santo André, morando lá e estudando lá, e os meninos já pensando na produção, como seria, e eu pensando junto. Os meninos e as meninas da banda também são os produtores do projeto. Eles pensaram na produção, criaram um selo independente para a gente ser do mercado independente. O nome do selo é Vulkania, e esse é nosso primeiro projeto. “Liniker e os Caramelows” é o primeiro desse selo. E a gente queria movimentar tudo apenas com as nossas forças. E a gente fez todo aquele projeto do EP “Cru”, sabe com quantos reais? Duzentos reais, só duzentos reais, que foram para a passagem do técnico de som que mora em São Paulo e foi até Araraquara.A captação de áudio também foi ao vivo, a gravação dele é ao vivo, que também foi um lance que a gente quis fazer para que trouxesse esse áudio mais natural para as pessoas, que elas vissem ali como acontece do jeito que acontecia, organicamente. E lançamos o trabalho no dia 16 de outubro, e a partir do momento em que a gente lançou foi o boom que deu. Fui dormir em um dia e no outro dia de manhã, quando acordei, tinha um milhão de visualizações.

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