Diz a lenda que Tim nunca gostou de ser fotografado para a capa de seu disco. As suas últimas capas saíam com a mesma foto, reaproveitada ano após ano. Diz a lenda que J.R.Duran gosta de aventura. E que, no ano de 1987, entre uma viagem à África e uma sessão de fotografias com a Luíza Brunet para a “Playboy”, topou o desafio de fazer a capa do novo disco de Tim Maia. Naquele dia de agosto, Duran e a equipe fizeram plantão na porta do flat de Tim, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Chegamos às nove da manhã e, finalmente, às duas da tarde Tim apareceu todo animado e sorridente. Fomos até a casa de sua mãe onde Tim, alegre, contou várias histórias e fez hambúrgueres para todos com sua exclusiva receita: uma rodela de cebola em cima da carne. Duran não provou, só queria saber de fazer a foto. Já estava quase anoitecendo. Tim queria tirar uma foto com sua cachorra, a Kaleshe. Mas antes mandou comprar um prato de comida para um garoto que pedia esmola na rua. Já era quase seis da tarde quando resolvemos dar uma volta a pé, pelo bairro, para fazer a capa externa. Alguém sugeriu de fotografálo embaixo de uma enorme árvore na frente da casa. “Se eu me chamasse Tim Árvore, seria uma capa incrível”, debochou ele. No final, Duran conseguiu tirar lindas fotos em preto e branco, ficou do caralho! Voltamos para São Paulo depois do safári fotográfico, achando que tínhamos material para uma capa única. O que não sabíamos é que Tim odiava fotos preto e branco. Pela falta da cor, eram outros tempos, a capa nunca existiu. O único registro que sobrou daquele dia foram estas ampliações.

Richard Kovacs é carioca, cresceu entre músicos e é diretor de criação de projetos especiais. Um deles é o “Cavabook”.

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